A importância das rezadeiras

Quando um homem negro sem religião vai até uma rezadeira ele vai também em busca dessa ancestralidade cultural, e a Dona Nina que mora as margens da PE-15 em Olinda, é alguém que nos cativa. Não foi a primeira vez que procurei esta pessoa que recebeu o dom repassado de mães para filha, sempre há algo de enigmático naquele lugar, algo que toca o íntimo de uma maneira que não consigo explicar. Nina é uma mulher de idade avançada, com as mãos e rosto marcados pelo tempo, seu olhar é profundo, que observa atentamente com um chumaço de folhas nas mãos enquanto nos sentamos diante dela. Sinto-me observado, não apenas fisicamente, mas como se ela enxergasse além da pele, como se penetrasse em minha alma e, com uma voz suave, inicia a reza pedindo para o pai nosso, para nossa mãe, para os anjos de luz. A cada palavra, a cada passada dos ramos de aroeira, sentia uma leveza invadir o corpo, mas, ao mesmo tempo, uma estranha inquietação. Quando, após uns dez minutos, ela termina a reza,...