Cidadania, diversidade e emergência climática
Quando falamos em política, muitas vezes pensamos apenas em eleições e no ato de votar. No entanto, a cidadania vai muito além das urnas. A história brasileira mostra que a conquista de direitos foi marcada por disputas, apagamentos e pela resistência de grupos que durante muito tempo tiveram sua participação política limitada.
Quem nunca ouviu falar em voto de cabresto? Coronelismo? Assistencialismo eleitoral? Compra de votos? Ah, vou fazer isso porque ele fez isso pra mim? E tantas outras coisas do gênero que prejudica uma eleição séria que pense, verdadeiramente na população, na sua forma mais coletiva.
E digo mais, onde nesse contexto, estão as pessoas LGBTs, negras, de terreiro, para serem também um eixo forte na política brasileira levantando suas pautas, contribuindo no Congresso Nacional e nas Câmaras Legislativas para enfrentar a partir do processo institucional os descasos que por séculos se instauraram contra essas minorias?
A trajetória de pessoas como Xica Manicongo e de lideranças do movimento LGBTIA+ revela a importância de conhecer histórias que nem sempre aparecem nos registros oficiais. Conceitos como transfeminismo, interseccionalidade e epistemologias trans ajudam a compreender que diferentes formas de opressão se relacionam e que pessoas historicamente marginalizadas também produzem conhecimento e transformam a sociedade.
E esse conhecimento, por muitas vezes, possui esse apagamento social, devido a concentração de poder das elites, que querem, a custos de exploração da condição humana, manter as pessoas desinformadas para que se tornem manipuláveis, mão de obra barata e seja marginalizadas de todas as formas.
A política também está presente na maneira como enfrentamos a emergência climática. As mudanças no clima não são apenas questões ambientais: elas estão relacionadas às escolhas econômicas, ao uso de energia, à produção de alimentos, à distribuição de terras e às decisões de grandes setores da sociedade. Por isso, compreender a crise climática exige aproximar ciência, cotidiano e participação coletiva.
Veja você, para pontuarmos a questão das eleições aqui neste texto, caro leitor, foi preciso buscar várias questões que na superficialidade muita gente pode pensar que não estão associadas, mas na essência dialogam entre si: alienação, pautas sociais e a/o cidadã/ão. A máquina política brasileira historicamente não se aprofunda em diversos debates, ainda mais nos tempos atuais com o avanço da extrema direita, tudo é visto superficialmente, sem contexto, com muito barulho e pouca discussão interligada.
Tudo são problemas e todos esses problemas afetam diretamente as minorias.
Assim, participar da vida política significa também conhecer nossa história, questionar desigualdades, combater o apagamento de grupos sociais e construir formas coletivas de cuidado. Como provoca Mar Revolta, “militância é disputa”: transformar a realidade depende de organização, consciência e da disposição para construir novos caminhos.

Comentários
Postar um comentário