Do celular para a rua

Por: Coletivo Força Tururu

Com o avanço das redes sociais, ficou mais fácil se comunicar. Para que os outros vejam o que queremos, basta ter um celular na mão, ligá-lo e começar a produzir: algo engraçado, um desabafo, um grito, uma denúncia. Tudo é possível, ao alcance de poucos toques na tela do aparelho. Mas, por trás de tudo isso, vem a responsabilidade. Será que, ao usarmos essa ferramenta para nos comunicarmos com a nossa “bolha”, estamos sendo coerentes, sensatos e honestos, de modo a não propagarmos fake news? Estamos dando oportunidade ao contraditório e às críticas? Esse é um ponto sobre o qual precisamos refletir bastante.

Há quatro meses, desde maio de 2026, o Coletivo Força Tururu promove, junto com 15 jovens, uma formação de comunicadoras e comunicadores populares na comunidade. A intenção dessa formação, para além de ensiná-los a utilizar ferramentas simples de comunicação para protestar, formar e denunciar os problemas socioambientais que afetam seus territórios, é também ensiná-los a se comunicar com estratégia, responsabilidade e compromisso.

Pois bem, neste mês de agosto, chegou o momento da devolutiva, da culminância: levar todo o material construído por essa juventude aos moradores da comunidade, sair das redes sociais e apresentar tudo à população local nas ruas.

Exposição de fotografias, entrega de zines (informativos impressos) e exibição de vídeos produzidos pelos próprios jovens fizeram parte da programação apresentada por essa juventude a todas as pessoas que transitavam pelo campo do Tururu. Tudo foi criado por eles e elas durante este processo formativo.

Lixo nas ruas, canaletas entupidas, dificuldade de mobilidade, obras inacabadas, doenças causadas pela falta de saneamento básico... Os ingredientes para esse bolo recheado de problemas foram inúmeros, e não faltou criatividade para transformar tantas questões em uma produção de qualidade, ouvindo a população e colocando no centro o mais importante: o dever de as pessoas se organizarem para mudar essa realidade.

E agora que o processo foi finalizado, o que vai acontecer?

O Coletivo está incentivando essa juventude a se inserir em grupos e coletivos que tenham como principal pauta a defesa dos direitos humanos. Não se pode deixar essa chama da transformação social se apagar, pois o processo formativo é contínuo, e os problemas na nossa comunidade, no nosso bairro, na nossa cidade, no nosso estado e no nosso país provavelmente continuarão com toda intensidade.

Ah, e ainda tem mais! Essa juventude estará indo às escolas para multiplicar informações e dialogar com estudantes sobre pautas socioambientais que atingem suas vidas e os territórios onde vivem e constroem seus afetos.

Incentive a formação de comunicadoras e comunicadores do Coletivo Força Tururu. É uma oportunidade importante para que muitas pessoas possam construir possibilidades de mudanças estruturantes em suas comunidades.

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