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UM DIA DE CORRERIA

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“Correria” na linguagem popular significa ir atrás, tentar algo, é ser instigado a produzir alguma coisa, tipo: “vou ali fazer uma correria pra conseguir levantar grana para feira de casa esse mês”, que em outras palavras é tentar um biscaite, um emprego temporário para levantar recursos a fim de ajudar em casa.  A palavra “correria” é forte e forte também são seus significados e foi ela, também, que nos inspirou a fazer esses “corre” para contar histórias reais através da fotografia. O novo quadro que o Coletivo Tururu está promovendo pelas ruas do bairro consiste em passar um dia com pessoas da comunidade que trabalham duro para ganhar o pão suado. A ação consiste em uma entrevista e registro fotográfico. As pessoas são escolhidas por serem bastante conhecidas e exemplos de luta para muitas pessoas. O registro de um dia de correria é feito pela nova geração que está entrando no Coletivo Força Tururu, gente nova que foi formado a partir do curso de fotocomunicação promovido ...

Informativo impresso comunitário e popular

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É difícil as comunidades terem vez e voz nos meios de comunicação impressos, nos grandes jornais que circulam nas capitais dos estados. Por muitas vezes o espaço só é dado nas páginas policiais e isso cria um abismo na falta de comunicação muito grande sobre as grandes possibilidades que existem nas favelas, de vida e construção social, fora que contribui bastante para a estigmatização e na constituição de representações sociais. Por isso e outras os jornais impressos (ponto principal que estaremos debatendo neste texto) tem uma dívida gigantesca com as comunidades pobres, por omitirem a nossa capacidade de transformação e secundarizar a criatividade desse povo de luta e tão sofrido, nos colocando sempre (quase sempre) na condição de marginais. Diante desse quadro alarmante, que é fato, não podemos ficar de braços abertos aguardando que os jornais de grande circulação, na sua “boa vontade” venha nos procurar para fazer alguma matéria que valorize a nossa comunidade, temos ...

ENTREVISTA COM KARLLA PATRÍCIA: TRAVESTI, ATIVISTA E MORADORA DA COMUNIDADE DO TURURU

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Karlla Patrícia da Silva, negra, 26 anos, travesti, ativista, profissional do sexo, bailarina, garçonete e moradora da comunidade do Tururu.  O Coletivo Força Tururu tem o prazer enorme de bater um papo com essa guerreira apresentar os desafios que ela enfrenta na vida e como é contorná-los em uma sociedade tão hipócrita que vivemos.  Vale a pena ler até o final, dizer um NÃO ao preconceito e fortalecer a luta. Coletivo Tururu: Quando surgiu a Karlla dentro de você? Karlla Patrícia: Surgiu quando eu tinha 9 anos. Sempre  tive essa Karlla dentro de mim, mas não podia assumir ela por conta da família e a sociedade. Aos 12 eu não aguentava mais, me sentia sufocada por dentro porque tava vivendo uma vida e uma pessoa que nao era eu. Dai aos 12 anos eu assumi ela pra toda minha família e toda sociedade. Eu me assumi. Coletivo Tururu: Por que você acha q a sociedade lhe impedia de assumir a Karlla que sempre esteve dentro de você? Karlla Patrícia: Porque ...

Tururu, nossa comunidade

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Esse é o título da música que está sendo composta pelo Dj Alex e cantada pelo Mc Jessinho. Uma ação em parceria com o Coletivo Força Tururu e os artistas da comunidade. A gente fez o convite e os dois aceitaram na hora! E lançamos um desafio: Compor e cantar uma música que tenha a cara de nossa comunidade, mostrar nas letras da canção o que temos de forte e o que nos valoriza. O desafio eles aceitaram de cara e tanto a música quanto a melodia já estão prontas para serem gravadas. O objetivo desta ação é fortalecer o conjunto de outras ações sistemáticas que estão sendo propostas pelo Coletivo Tururu para contribuir com o empoderamento das pessoas, fortalecimento comunitário e ativação da população para lutarmos por condições melhores de vida. Historicamente as pessoas “de fora” conhecem a comunidade do Tururu, localizada no bairro do Paulista, região metropolitana do Recife, como uma comunidade onde impera o tráfico de drogas e homicídios, um lugar muito perigoso de ...

ELE ERA MEU FILHO, UM VÍDEO DE VIDA

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Apesar de garantias constitucionais, ter vez e voz no nosso país é para poucos.  O Coletivo Força Tururu está desde meados de 2016 promovendo a campanha “Eu não quero ser o próximo”, que tem o objetivo de debater sobre o extermínio da juventude, sobretudo da juventude negra. A campanha aborda ações pontuais e sistemáticas com a finalidade de ativar pessoas para que elas se articulem em rede a fim de construir possibilidades de reduzir a violência. Dentre uma das ações que estão inseridas na campanha é o vídeo documentário “Ele era meu filho” que trará a versão de mães e pais que tiveram seus filhos exterminados pelo crime e por este sistema brutal que mata milhares de jovens negros, pobres e moradores de favela em todo nosso Brasil.  O vídeo tem como objetivo principal dar a vez e voz aos que tem pouca oportunidade de falar, sobretudo nas mídias, na imprensa. Eles vão contar a versão que sabem de seus filhos, a relação que tinham com eles e que muitas vezes é omitid...

ENTREVISTA COM CIDI, COMPONENTE DO COLETIVO TURURU

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O Coletivo Força Tururu traz uma entrevista com um de seus componentes, Cidicleiton Luiz, 30 anos, ou Cidi, como é conhecido, é arte-educador, um dos fundadores do CFT. Começou sua atuação social junto ao movimento Hip Hop e ao Grupo de Jovens ligado à Pastoral da Juventude do Meio Popular, hoje é um das grandes referências no município do Paulista no debate em torno da comunicação popular e comunitária e um grande ator social, engajado na luta de construções por comunidades livres, autônomas e ativas. 1) Cidi, quais são os maiores problemas que a gente vive nas comunidades pobres do Brasil na sua opinião? A opressão preconceituosa externa, seja por meios da comunicação (radio, televisão) e até mesmo pela internas através da redes sociais neste caso alguns moradores é quem alimenta o sentimento e pensamentos negativo. Desta forma também dando brecha para que alguns estabelecimentos na hora de contratar o profissional o despreze. 2) O que a gente tem que fazer para vencer...

Por que na minha rua tem tanto lixo e buraco?

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(O Racismo Ambiental) Por: Rodrigo Correia de Lima [1] A problemática ambiental nos leva a reflexões mais aprofundas sobre a vida e suas várias faces. A partir desta perspectiva, ao falar em racismo ambiental, é indispensável o debate quanto à relação direta entre as desigualdades sociais e a degradação ambiental. De acordo com a pesquisa do PNUD (2011): Sustentabilidade e Equidade: um futuro melhor para Todos , vários fatores são apontados, mostrando que as populações empobrecidas são aquelas que mais sofrem com os impactos ambientais negativos. Exemplo disto é a devastação das florestas entre 1990 e 2010, na América Latina, Caribe e a África subsaariana, que tiveram grandes perdas de vegetação. Segundo o relatório citado, estes locais devastados eram utilizados principalmente por mulheres que sustentavam suas famílias. Ainda, de acordo com o PNUD (2011), são as mulheres empobrecidas, negras e indígenas, que estão mais expostas às catástrofes naturais, assim c...