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ENTREVISTA COM CHARLES DE SOUZA, MORADOR DA OCUPAÇÃO FLORESTA

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  A Ocupação Floresta, que se localiza no Tururu, é um espaço muito potente, onde moradoras e moradores se organizam para ter o seu direito à moradia garantindo, preservando a natureza, criando grupos de trabalhos que ajudam a estabelecer participação coletiva no espaço. A história da comunidade é muito ligada às lutas e, por isso, fazer movimentos de ações de conscientização dos que mais precisam, fortalecer o debate interno promovendo reuniões, parcerias para garantir à essas pessoas o que, de fato, deveria ser delas, de ter um teto para morar. É por isso que, incansavelmente, nós, do Coletivo Força Tururu, desde dezembro de 2022, estamos promovendo atividades, dialogando com muita gente na perspectiva de contribuições para uma ocupação sempre melhor e mais forte.   Pensando nisso que entrevistamos Charles de Souza, morador há um ano da Ocupação Floresta, de forma rápida, para saber qual o sentimento dele do local.   Coletivo Força Tururu: Por que o senhor veio ...

COMO SURGIU O COLETIVO FORÇA TURURU

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  As relações que as pessoas constituem com seus territórios afetivos, comunidades, favelas, periferias, como queiram chamar, é de puro amor, porque é aí que nascem as amizades, o conhecimento de rua e todas suas ramificações de vida se espalham pelo lugar, muitas vezes é difícil diferenciar o que é a pessoa e o que é a localidade, pura poesia por assim dizer, tornando-se um/a só. Por isso, quando se estigmatiza a comunidade, de igual forma se cola uma tarjeta imaginária no rosto de cada pessoa que mora dentro do território, se no local, pela compreensão do senso comum e pela força do preconceito instalado por lendas, histórias mal contadas e direcionamentos preconceituosos lançados constantemente pela mídia, entende-se que: todos são bandidos, logo, qualquer pessoa, por esse imaginário implementado, é bandido também. Por quantas vezes e tantas vezes, qualquer morador que seja de periferia, não tenha aberto um jornal, ou visto na tevê ou lido na internet um massacre midiático à sua...

18 Anos de minha filha Luana

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  18 Anos de minha filha Luana * Por André Fidelis A memória viva na minha mente, lembro como se fosse hoje: recebo a notícia de que seria pai seguindo para a sala de embarque no aeroporto de Recife, no ano de 2004, à noite, com 20 anos de idade.             Dentro do avião não paro de pensar como seria daquele momento para frente: o futuro, as responsabilidades, a vida... O “desnorteamento” foi tanto que ao descer em Curitiba (PR) me dou conta que estou sem minha carteira, sem documentos, sem dinheiro.   Perdera tudo dentro do avião nas idas e vindas das turbulências que me eram apresentadas durante a viagem.             Estava indo à Assembleia Nacional da PJB, representar a Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP) da qual fazia parte. Durante o encontro conversando com uma amiga sobre o fato que me foi apresentado, cabisbaixo, ainda sem acreditar digo a ...

ENTREVISTA COM KARINA AGRA SOBRE MEIO AMBIENTE, DIREITOS E LUTA

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  Uma mulher potente, na resistência e de luta, que tem travado trincheiras importantes com grande corporações imobiliárias para ter o seu direito, e de muitos, da moradia, do trabalho, garantidos. Comunidades pesqueiras, moradores tem se organizado para dizer não às articulações da prefeitura com empreiteiras que tem prejudicado muitas pessoas na área litorânea da cidade de Paulista (PE). Nossa entrevista no mês da mulher é com Karina Agra, artista visual, educadora social, moradora há 42 anos da cidade que tem muita coisa para contar.   Coletivo Força Tururu: Para você, como é viver na cidade de Paulista?   Karina Agra: Eu cheguei aqui em 1980, a PE 22 (importante rodovia da cidade) ainda era barro, moro em uma das primeiras vilas da área e eu venho acompanhando toda essa questão da degradação ambiental da praia. Tive uma infância maravilhosa por aqui, o local era cheio de cajueiros e minha infância foi muito privilegiada, à título de natureza, de segurança, um ...

OCUPAÇÃO FLORESTA – Direito à moradia e Comunidade do Tururu

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  Muitas comunidades têm a sua história ligada por um laço estreito à luta pelo direito à moradia. Lotes e posse que foram conquistados a partir de muitas reivindicações, justas, em um país que garante Constitucionalmente este direito, mesmo que, por muitas vezes, no papel e não na prática, mas deve ser assegurado como algo fundamental, de ter um teto, um lar.   A Avenida Floresta, uma das principais ruas da comunidade do Tururu (Ah, a comunidade se localiza na cidade de Paulista – PE, no bairro do Janga), foi palco de importantes transformações sociais no território, uma delas é a transferência das famílias e demolição de suas casas que antes haviam neste local para um conjunto habitacional, que fica no mesmo bairro, ação que só foi possível a partir do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, durante o segundo mandato do Governo Lula.   Com o Brasil imerso em crises: políticas, sociais, ambientais e econômicas, agravaram-se muitas questões no país, como o au...

AMANHECE MAIS UM DIA NO TURURU

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  Amanhece mais um dia na comunidade do Tururu, algumas pessoas na rua com uma gaiola "pendurada" no ombro, carregando seus passarinhos para um passeio na Rua Floresta. Talvez pense o bichinho, preso ali, como seria navegar nos ares da mata do Janga, o pobrezinho nunca teve esta oportunidade. Aparecem lá longe os primeiros ônibus da linha que entra na nossa comunidade (de vez em quando, é uma luta isso), que vem buscar o povo que cedo vai trabalhar fora da cidade. Vai ser um trajeto longo, de superlotação, calor insuportável e engarrafamentos. Os mercadinhos começam a abrir, porém antes, as padarias já estavam recebendo seus clientes, a economia gira na localidade, o povo precisa ganhar seu pão de cada dia e muita gente necessita consumir, comprar, se alimentar, viver!   São relatos que se repetem no dia-a-dia, em uma rotina estabelecida na dinâmica comunitária, do posto de saúde abrindo, dos estudantes seguindo pra Escola São José ou pro Ejomaq (Escola Estadual José Mano...

UM CONVERSA COM JONES MANOEL - Coletivo Força Tururu

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  Entrevistamos Jones Manoel, 32 anos, um jovem líder, negro, que com seu canal no youtube e sua luta na sociedade, tem gerado vários debates importantes que estão ajudando a fazer uma reflexão profunda sobre luta de classes. Jones se dizia, na juventude, muito tímido. Fez teatro a partir do incentivo de sua irmã, teve seu pai assassinado, fez vestibular e passou em história e vendo a dificuldade de jovens negros da periferia, na comunidade onde morava, resolveu fazer um curso pré-vestibular para ajudar outras pessoas da favela da Borborema, no Recife. Passou a ouvir Racionais, GOG, Facção, como fonte de inspiração. Sempre se viu sua vida tendenciada à esquerda. Aos 18 anos teve o seu primeiro trabalho de carteira assinada; sofreu vários preconceitos, sobretudo por ser negro e pobre. Após ter participado de vários protestos e estudado muito sobre o comunismo resolveu entrar no PCB (Partido Comunista Brasileiro), participando da UJC (União da Juventude Comunista).   Com ess...